quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sentimento Amarelado


Ela estava sob o céu carregado de nuvens negras. Pensava na vida. Caminhava calmamente agarrada à bolsa repleta de livros, embora lesse sempre o mesmo romance. Aquelas linhas de prosa quase que rimadas, com palavras escolhidas a dedo, que retratavam tão bem a sua busca de identidade, seu amor e sua vontade de conhecer aquilo que é desconhecidamente amarelado. Ela caminhava agarrada àquelas palavras tão doces e tão profundas... Era amarela como aqueles vocábulos que não se aprendem nos livros, mas que, respeitados até pelo diabo, são sentidos pelo coração.
O céu carregado, emocionado por vê-la entregar-se ao caos de seus pensamentos alaranjados, desmanchou-se em lágrimas que a molhavam, ainda que ela tentasse se proteger em baixo de seu pequeno guarda-chuva negro. Ela, então, abraçava-se mais fortemente à bolsa. Não importava se seus pés ou braços se molhavam. Não importava se sua roupa se sujava com as águas que respingavam dos carros que passavam. Queria apenas proteger aquele escrito que a consolava nas horas difíceis e nos momentos de solidão. Já não se importava com a chuva, com os raios e trovões. Queria apenas ser grata com aquele objeto. Entregara-se a ele. Era dependente daquelas palavras. Rendera-se àquele amor enquanto caminhava sob a chuva, com a certeza de que seu sentimento era infinito.

domingo, 22 de novembro de 2009

Eles


Ela lia notícias, estudava línguas, pensava somente em si. Era uma garota muito dedicada, até que um dia ele apareceu… Ele, então, roubara-lhe as notícias, sentira sua língua, e ela passou a pensar no “nós”… Ele desestruturou o castelinho por ela perfeitamente construído: viajaram o mundo com uma mochila nas costas, lutaram por causas, saíram da redoma de vidro, brigaram, se amaram, se separaram… Seguiram rumos distintos: ele teve a sua vida guinada – ainda que sem querer – por um novo caminho e ela… Bem, ela voltou para as suas notícias, suas línguas, seu egocentrismo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ela

Ela estava bem. Pagava as suas contas, tinha um emprego digno. ela estava bem. vivia com a família, tinha um teto com mobílias. Ela estava bem. Apoiava os amigos infindáveis; tinha, com eles, momentos agradáveis. Ela estava bem. Tudo estava bem. Aparentemente bem... Ela estava bem. Usava transporte público, mas não em horário de pico. Ela estava bem. Lia notícias, escrevia poesias, lia livros. Ela estava bem, em seu mundo movimentado, em meio à solidão. Ela estava bem até que ele apareceu e tocou seu coração...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Uma mudança está vindo

Assim como os carros que passam na agitada avenida, sou eu... Passo pelos mesmos caminhos, mudo a trajetória, traço a minha rota que ora é permeada de medo, ora se completa com o desejo de aventura.

Sou a tecnologia do carro e a natureza do vento. Sinto o sol em minha face. Paro, penso e avalio... Percebo que uma mudança está vindo. Ela vem para transformar por completo a rotina das mesmas calçadas, das mesmas avenidas, das mesmas vidas...

O ritmo, quebrado pela desilusão, teve o efeito contrário: os arrepios noturnos trouxeram apenas a tranquilidade. Repetia a mim mesma: “Qualquer coisa é melhor do que era antes. Qualquer coisa...”. Tinha isso em mente, era o meu mantra sagrado.

E o fato de saber que uma mudança está vindo é o que me mantém viva...

domingo, 1 de novembro de 2009

Sometimes I wonder...

...why I do it with myself!!!!



Thanks Alexander James McLean... If one day I die, it will be your fault! hunf!
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Undone. Written by Josh Hoge, Troy Johnson, Ryan Tedder. In: This is Us (by Backstreet boys)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Morfeu


Em meio à penumbra, Morfeu me envolve em seus braços fortemente nebulosos.
Com suaves movimentos, ele me embala e me carrega para uma terra onde os sonhos se confundem com a esperança de ser feliz e a agonia da dor. Terra encantada onde vejo todos a quem já amei, onde me encanto e me perco no olhar perfeito. E nele me deleito... Entrego-me, então, à aventura do desconhecido; confiando apenas que, na estadia escura da caverna florida, estarei segura em meio àqueles braços que me sustentam e me consomem...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Olhar

Olhar para trás, às vezes é muito estranho. É estranho ver o quanto a gente sofre por pessoas que não merecem, o quanto a vida nos prega peças, o quanto... Olha para trás e perceber que você perdeu tempo com amores não correspondidos, com amizades não retribuídas... Horas que correm, minutos que não voltam mais...
Olhar para trás e perceber que cada pessoa é única e infinita e que você, por mais que tente, não consegue completar esta incompletude...
Olhar para trás e notar o quanto se amadureceu com tudo aquilo que perdeu...
Apenas olhar para trás...