segunda-feira, 20 de maio de 2013

Metade

"Você prefere metade cheio ou metade vazio?"


Meu caderno chegou à metade. Ora cheio de determinação, ora cheio de dor; ora cheio de melancolia, com pitadas de humor e ironia.

Meu aderno chegou à metade com páginas recheadas de palavras sinceras e inventadas, que retratam um coração por vezes decidido, por vezes machucado, mas quase sempre esperançoso.

Meu caderno chegou à metade, porque este cérebro é grande demais para ficar só em um crânio. Ele quer extravasar as suas ideias no papel.

Enquanto a metade cheia é, aos poucos, conhecida, que venham as páginas vazias, para serem velozmente preenchidas! 

domingo, 19 de maio de 2013

O verme e o alto*


O verme sabotador me puxava, fazendo com que me perdesse nas minhas lembranças. O verme, sabotador intenso, devorava todos os momentos felizes, para que eu fosse morrendo aos poucos, vagarosamente.

Para livrar-me do meu verme, deveria tentar encarar a visão do todo. Busquei o meu lugar mais alto, em que pudesse sentir o vento em meus cabelos e pudesse, mais do que tudo, ter uma visão completa de mim. Somente um panorama completo dos meus altos e baixos me faria perceber que a visão pessimista da vida é justamente a visão distorcida que o verme me faz ter.

O alto, o todo, a completude. Tipos de reflexões que me levam à felicidade.

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*Escrevi este texto logo que terminei a leitura de O Torreão, da Jennifer Egan. Para ler a resenha, clique aqui.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O tal "seguir em frente"


O tal "seguir em frente, para muitos significa ir na direção oposta daquilo que mais os atraiu. É deixar para trás alguns momentos bons, alguns sorrisos, algumas borboletas no estômago. É passar por cima das lágrimas, das noites mal dormidas e, principalmente, das lembranças.

O caminho deste tal "seguir em frente" não é fácil. Primeiro, a gente quer pensar na possibilidade de não segui-lo; então, depois de tanto sofrer, a gente se cansa de lutar contra e vai. Seria ótimo se, logo de cara, nos encontrássemos com o "feliz para sempre"; contudo, esse tal "seguir em frente" é também conhecido como "prova de fogo". A cada teste, um tropeço. A cada tombo, a vontade de voltar correndo para o conhecido, mesmo que este lugar seja o limbo e a dor em que se estava antes de partir. 

Só se vence o "seguir em frente", quando não se pensa mais em olhar para trás. Seguiu em frente aquele que não objetiva mais seguir em frente. Falando assim, parece estranho. Todavia, repare em todos que seguiram em frente: estas pessoas já não tocam mais neste assunto, porque ele já foi superado.

Se superação está diretamente ligada aos desafios que a vida muitas vezes nos impõe, é porque o tal do "seguir em frente" é um deles (talvez o maior deles!). Para seguir em frente, muitas vezes temos que deixar um pedaço nosso para trás.

Mas, por que estou falando tudo isso? Deve ser porque escrever me mostra os caminho para eu alcançar aquela luz lá no fim do túnel - que está um tanto a minha frente. É... é preciso seguir em frente.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Conexão


Nesses tempos em que a Internet é tudo, fico na dúvida de como nos conectamos afinal. É por meio de um curti o seu sorriso ou seguindo os seus pensamentos? Enquanto eu clico a sua beleza em meu álbum, me questiono sobre a qualidade dos nossos pensamentos. Seria apenas mais uma coleção repleta de quadros nos nossos melhores momentos ou um chat com exibição na web cam?

Você disse que me enviaria o link do seu currículo, e que eu o colocaria no meu coração. Contudo, neste instante, uma conexão daquelas quase estabelecida caiu... Culpa do wi-fi!...Talvez, talvez seja melhor assim!

terça-feira, 14 de maio de 2013

[Resenha] A arte de se leve, de Leila Ferreira


Você veio ao mundo de caminhão ou de bicicleta?! Após conhecer uma dona de salão de beleza que veio ao mundo sobre duas rodas, a jornalista Leila Ferreira resolveu entender o que faz algumas pessoas levarem a vida com bom-humor, mesmo rodeado de problemas. Assim, nasceu A arte de ser leve.


Leila Ferreira viajou o Brasil e o mundo, entrevistando desde pessoas simples e desconhecidas, até filósofos, atores, e estudiosos desta tal felicidade. Dividido em oito partes, A arte de ser leve aborda pontos cruciais da vida em sociedade que estão sendo atropelados (por caminhões?) pela rotina insana do dia a dia nas grandes cidades.

Gentileza, bom-humor, desaceleração, convivência com pessoas reais... Quanto disso está presente na nossa vida?! A obra escrita pela Leila Ferreira nos faz repensar em todos estes pontos. Para mim, funcionou como um meio de reflexão para me reeducar em certos aspectos (afinal, por que eu preciso correr tanto?!).

A leveza aparece desde o projeto gráfico da obra, que conta com ilustrações fofíssimas de Marina Mayumi Watanabe, até a forma como os capítulos são escritos. O que temos como fruto é uma conversa sincera e aberta, de uma autora que está em busca de conhecimento e que, ao mesmo tempo, quer compartilhar conosco, seus leitores.

Lindo, reflexivo, prazeroso e, é claro, leve. Alguns lerão como a solução de seus problemas; outros, com uma certa incredibilidade; haverão ainda aqueles que farão a leitura de coração aberto. Para mim, A arte de ser leve é um livro para mantermos na nossa cabeceira e do que precisamos para sermos felizes!

Livro: A arte de ser leve
Autora: Leila Ferreira
Editora: Globo
Páginas: 280
Sinopse: Tem gente que anda com um enorme bacalhau nas costas. A imagem é usada pela jornalista Leila Ferreira pra descrever aqueles que não conseguem se livrar da carga do mau humor e vão estragando o dia de quem tem o azar de topar-lhes o caminho. Para quem ainda não reconheceu, a autora de A arte de ser leve se inspirou no rótulo de um tônico tradicional, a Emulsão de Scott, que continha o intragável óleo de fígado, e trazia estampado um marinheiro arcado sob o peso do peixe às suas costas. O livro é um antídoto contra os “bacalhaus” que muitas vezes arrastamos pela vida afora.
A autora não pretende em nenhum momento, como a leitura revela, ser a “dona da verdade”, usar de didatismo em receitas fáceis e desgastadas dos livros de autoajuda. Também não quer as complicações acadêmicas. As histórias e impressões vão sendo aos poucos tiradas do cotidiano, da memória, das entrevistas acumuladas em sua carreira com pessoas importantes e dos bate-papos com anônimos.
Leila Ferreira tem uma capacidade singular de observação – de recolher as melhores histórias e de fazer entrevistas com o tom saboroso da conversa informal. Mas, nem por isso o livro perde na potência da pesquisa jornalística, nos dados interessantes obtidos em pesquisas recentes da psicologia, da sociologia, da medicina.
Dessa maneira, costurando informações científicas, divagando, conversando, a autora propõe uma pequena revolução: num mundo abarrotado de e-mails e telefones celulares, de pouca cortesia e muitas dietas, cheio de ambição e consumismo transformar os gestos do cotidiano, aqueles que nos prendem e sobrecarregam sem sequer nos dar a chance de percebê-los.
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